Primavera Portuguesa

Pássaros ao por-do-sol

Alegadamente nada será mais auspicioso do que criar um blog sobre política, políticos e politiquice no início da Primavera, embalados pelo cantar das aves, em especial o dos papagaios, melros e abutres.

Neste momento bucólico que o país vive, se algum sentido crítico me corria nas veias, bateu asas e voou. Todo eu sou otimismo, dos pés à cabeça. De repente a minha mente viu-se inundada por uma torrente de acontecimentos que atestam o excelente momento que a nossa democracia atravessa. O difícil é saber por onde começar a prosa.

Do lado do governo…

O Ministro da Educação, atento aos anseios dos nossos jovens que vibram de alegria sempre que um professor falta a uma aula, no início deste ano letivo quase levou a miudagem à loucura, como se de um concerto dos “One Direction” se tratasse. Para tal elaborou um cuidadoso e criterioso plano de atraso na colocação dos professores, que teve ainda como mérito colateral encher os cofres do estado, com os salários poupados.

As reformas orquestradas pelo Ministro da Saúde germinaram e finalmente deram frutos: no início do seu mandato os portugueses não tinham onde cair mortos, agora já podem morrer, condignamente, na sala de espera das urgências de um hospital. Mas as vantagens não se ficam por aqui: como a causa de morte está à vista de todos, ainda conseguiu poupar dinheiro ao estado com as autópsias.

O infundadamente controverso novo Mapa Judicial, obra-prima da Ministra da Justiça, entrou com o pé direito… e para evitar pressas e precipitações demorou dois meses a avançar com o pé esquerdo. Num golpe de génio, arquitetou uma paragem do Citius durante 2 meses, permitindo pela primeira vez agradar a “gregos e a troianos”. Por um lado, os magistrados tiveram tempo para tratar da decoração dos novos gabinetes e limpar o pó aos milhares de processos que mudaram de prateleira. Por outro lado, a “bandidagem” teve direito a verdadeiras férias judiciais, sem os tribunais à perna. 

Mas a oposição não se deixou ficar atrás…

O PS deixou bem claro aos portugueses que não é um partido de troca-tintas mas sim de troca-toinos, ao trocar o Toino José Seguro pelo Toino Costa. E com este último não se brinca, se comeu vivo o anterior líder do seu partido, imaginem a forma impiedosa como irá tratar a Troika.

O Bloco de Esquerda, como por cá se vê grego para se manter unido, celebrou a vitória do Syriza como se fosse sua, numa grande manifestação de coesão… externa.

Alegadamente, a Primavera Portuguesa veio para ficar e promete dar frutos…

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