As contas estavam mal feitas e não fui eu que as fiz...

Pedro Passos Coelho

Não vou acusar Passos Coelho de mentir, pois isso é uma atitude alegadamente omnipresente no exercício de funções governativas. A questão essencial é saber quando começaremos a distinguir o “trigo do joio”?

Na entrevista que Passos Coelho deu à SIC, podia ter sido bem mais criativo quanto ao bode expiatório que arranjou para não ter cumprido as promessas eleitorais que fez e para ter ido além das medidas previstas no memorando de entendimento.

Alegadamente, o “culpado” de tudo foi um erro de dois pontos percentuais no deficit referente a 2010, detetado por ele retroativamente. Já agora esse erro foi de facto detetado por ele, ou “empurrado” para o passado por algum aprendiz de feiticeiro, especialista em contabilidade pública? Quatro anos para arranjar uma boa desculpa é só conseguiu arranjar esta?

Bom, mas como diz o outro, ao passado o que é do passado, ao futuro o que é do futuro…

Caso viesse a ganhar as próximas eleições que desculpas arranjaria para ignorar as suas promessas e compromissos eleitorais? A subida do preço do petróleo? A subida generalizada das taxas de juro na zona euro? O ressurgimento de destinos turísticos mais atrativos na bacia do mediterrâneo? É que todos sabemos que "o tempo das vacas gordas" não dura sempre...

Mas, ponto alto da entrevista foi mesmo quando Passos Coelho afirmou sem pestanejar: “nós oferecemos, entre o PSD e CDS/PP uma maioria estável aos portugueses”.

Quer isso dizer que se ganhassem, dessa vez, o Paulo Portas não se voltaria a tentar irrevogavelmente demitir… por SMS?

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